Vida e ensinamentos de Ajahn Paññāvaddho

A biografia de Ajahn Paññāvadho foi publicada e já está disponível para download gratuito. O livro é dividido em duas partes: uma biografia e uma exposição dos ensinamentos dele.

Ajahn Paññāvadho foi um dos primeiros ocidentais a ir ao oriente buscar a ordenação monástica e era discípulo de Ajahn Mahā Bua. Ele obteve muito sucesso em sua prática espiritual e entre o grupo de monges da floresta é respeitado como um entre aqueles que atingiram o mais elevado nível de realização. Portanto, para nós que somos budistas ocidentais, esta é uma oportunidade rara de poder ouvir o Dhamma de alguém que conhecia a fundo não só as escrituras mas também a aplicação desses textos.

No livro ele aborda assuntos muito profundos relacionados ao funcionamento interno da mente, como memória, pensamento, a dinâmica que dá realidade à noção de “eu” – leitura obrigatória para psiquiatras e neurocientistas. Além disso, também discute conceitos filosóficos como a natureza da existência e realidade. Um prato cheio para quem gosta de dar nó na cabeça (ou para quem quer desfazer os nós que já estão lá!).

O livro está disponível para download em Forest Dhamma Books.

2 comentários sobre “Vida e ensinamentos de Ajahn Paññāvaddho

  1. Excelente explicação de Ajahn Paññāvaddho sobre paticca-samuppada!

    Devido a tais sutilezas, os fatores de Paṭiccasamuppāda sao dificeis de interpretar usando a linguagem convencional. O meu entendimento deles e algo assim: “avijjā paccaya sankhāra” significando que avijjā e a ignorancia fundamental dentro de si mesmo, uma nuvem de ilusao que e extremamente profunda e onipresente. A ignorancia produz o kamma que leva a todas as condicoes para o nascimento. Dependente da existencia dessas condicoes, ou sankhāras, vinnāṇa surge. Aqueles primeiros tres fatores, avijjā, sankhāra e vinnāṇa, nao sao dependentes de existencia fisica humana – com certeza sao estados mentais.

    O fator vinnāṇa no Paṭiccasamuppāda sempre se refere a “paṭisandhi vinnāṇa”. Este nao e o tipo normal de vinnāṇa a que nos referimos como consciencia. Ao contrario, e a consciencia de religacao que conecta um nascimento ao proximo. Tal consciencia de religacao estabelece a conexao entre o passado e o futuro que leva ao apego no momento da concepcao. De paṭisandhi vinnāṇa e dito ser “livre de portas”, isto e, livre das portas dos sentidos.

    Para entender paṭisandhi vinnāṇa voce deve por de lado a palavra “consciencia”, que pode ser uma traducao bastante enganosa. O meu entendimento da palavra vinnāṇa neste contexto e que o prefixo “vi”, que significa “dividido”, e combinado com “nāṇa”, que significa “conhecer”. Em outras palavras, “conhecer dividido”. A mente unica se divide em duas, sujeito e objeto, e em vez de ser puro conhecimento ilimitado, a mente e impulsionada por avijjā mais kamma a discriminar, de modo que se torna “isto” sabendo “aquilo”.

    Uma dualidade e, entao, estabelecida na forma de “isso” se tornando nāma e “aquilo” se tornando rūpa. Assim, vinnāṇa e a condicao para o surgimento de nāma-rūpa. Embora avijjā, sankhāra e vinnāṇa sejam fatores condicionantes, todos esses fatores surgem simultaneos a divisao na dualidade. Nao ha intervalo de tempo envolvido. E como uma locomotiva que puxa os vagoes: o motor e a causa, mas nenhum dos carros se move de forma independente.

    Entao, vinnāṇa e uma condicao para nāma-rūpa surgir. Nāma-rūpa e um fator dificil de interpretar. Nāma significa literalmente “nome”; em outras palavras, dar nomes as coisas, designacao e definicao. E rūpa e “forma”; isto e, a coisa que tornamos concreta com o nome. Quando tornamos formas algo concreto com nomes, nos as destacamos do todo. Olhando para a floresta, vemos folhas, arvores e flores. As chamamos de folhas, arvores e flores apenas para definir certos aspectos do que vemos. Mas tais coisas sao apenas nossa particularizacao – elas nao existem como tal na floresta. A floresta em si e um todo; nos e que diferenciamos os varios aspectos.

    Na realidade, nossas percepcoes de modo algum existem como entidades separadas. Separamos a floresta em varias partes para que possamos trazer alguma ordem as nossas percepcoes. Assim e como nāma-rūpa funciona. E a divisao de certos aspectos de nossa percepcao da natureza que estejam de acordo com sankhāras anteriores. Em outras palavras, vamos definindo nosso mundo de acordo com nossas proprias tendencias passadas. Entao nos criamos um mundo, no presente, com base em dados do passado. Isto entao retorna a avijjā paccaya sankhāra, com sankhāra sendo as condicoes carmicas do passado a determinar o renascimento.

    Uncommon Wisdom
    Vida e Ensinamentos de Ajaan PANNĀVADDHO – p 156 e 157

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