Para Quem Conhece o Dhamma Não Há Brigas

Ajahn Chah fala sobre a atitude correta para um praticante do Dhamma.
Notas:
  • Morrem: uma gíria entre os monges, significa que o monge largou a vida monástica.
  • Quem é descuidado está morto: um verso do Dhammapada (http://acessoaoinsight.net/dhp/dhp2.php)
  • Túnel: há um certo tipo de cupim que costuma construir um túnel de barro para servir de passagem pelos locais por onde caminham com frequência.
  • Tigre fêmea é feroz: nesta ocasião ele estava ensinando um grupo de monges, se o grupo fosse de monjas ele certamente estaria alertando sobre os perigos do tigre macho.
  • Incomoda os noviços: por causa da regra monástica os monges não podem fazer tarefas simples como cavar o solo ou cortar plantas, esse tipo de trabalho é em geral delegado aos noviços do monastério.
  • Ter dinheiro: um noviço observa 10 preceitos morais que incluem renúncia à posse de dinheiro.
  • Manto branco: tornar-se um anagāraka.
  • Mankut, nhó, lam-yay, nói-na: todos esses são nomes de frutas tailandesas, não possuem correlatos no Brasil.
  • Sīmā: é uma área designada pela sangha para a realização de cerimônias como a ordenação de novos monges. Os limites dessa área devem ser designados utilizando pontos de referência geográficos como pedras, árvores, um lago, um rio, etc.

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8 comentários sobre “Para Quem Conhece o Dhamma Não Há Brigas

  1. Excelente Bhante!!! Muitíssimo obrigado por compartilhar!!! Bhante eu queria confirmar com o senhor o significado de um trecho. Esse trecho: "Se fazer algo é errado, procuramos evitar, temos medo de
    errar, então não fazemos, isso ainda não está puro. Ainda há desejo em fazer aquilo até vermos que não
    é nosso dever fazer aquilo, não há abandonar, não há praticar naquilo, acabou, só isso." Quando o Ven. Ajahn Chah fala "acabou, só isso" ele quer dizer que acabou no momento em que se vê, se compreende, de modo que não se sente nem vontade de fazer algo errado porque fazer determinada coisa não é "da nossa conta" ele fala não é "nosso dever aquilo". Sentir vontade de fazer algo errado e não fazer devido ao escrúpulo moral, o desejo de não querer fazer o mal ainda não é puro porque ainda sente que aquela ação ruim, tem algum valor, algum atrativo e sente vontade em fazer, só é puro mesmo quando a sabedoria não vê mais aquela ação ruim como algo de valor, atrativo, desejável, e não vendo como desejável, daí nem sente mais interesse ou vontade em fazer. O Bhante acha que o Ven. Ajahn Chah queria dizer algo nesse sentido nesse trecho?

    • Eu me sinto muito desconfortável tentando explicar as palavras de um grande mestre como Ajahn Chah, mas minha sensação é de que ele está falando do estado de arahant, onde não há mais abandonar pois não há apego e não há praticar pois não há kilesas. A expressão "não é nosso dever" também é utilizada por Ajahn Mahā Bua, ele diz que quando a mente alcança arahant ela deixa de entender que os 5 khandhas são "eu", para de achar que é dever dela ser aquilo.
      Eu traduzi de forma mais literal possível, mesmo em tailandês o texto passa esse aspecto meio enigmático, meio "Zen".

  2. Antes que alguém pergunte eu já respondo: Ajahn Chah está dizendo que não devemos praticar samādhi?
    Não. Olhe com atenção o texto inteiro, esse texto é um exemplo perfeito do caminho do meio. Ele critica todos os extremos, tanto aqueles que querem viver em conforto e comer comida boa como aqueles que querem viver na caverna comendo folhas; tanto aqueles que não querem que barulho algum venham incomodá-los como aqueles que não tomam medidas para que o lugar onde moram seja pacífico, etc. Ao mesmo tempo que ele diz que samādhi é "muita burrice", "é o berço da confusão", ele diz que no começo temos que segurar firme, sīla, samādhi e pañña, aqueles que eram discípulos e viveram com ele sabem quanta importância ele dava à prática de samādhi no dia a dia e até que ponto ele pessoalmente era hábil em samādhi (meu professor diz que ele era capaz de atingir todos os jhānas, sem excessões). O que ele está criticando aqui são as pessoas que ficam viciadas em samādhi, mas como um mestre costuma dizer "Estar viciado em samādhi não é bom, mas é melhor do que estar viciado na mente confusa e dispersa."

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