A Bondade do Mestre

Como forma de encorajamento aos monges, Ajahn Anan faz revelações sobre sua prática e conta sobre os seus dias com Luang Pó Chah.
Dois comentários: 1- Aqueles que conhecem a regra monástica sabem que afirmar de forma categórica ter samādhi, como é feito nessa gravação, é ofensa da regra monástica mas só quando conversando com leigos, a audiência nessa ocasião era de bhikkhus e portanto não houve ofensa. 2- A primeira foto do vídeo foi feita no dia da ordenação de Ajahn Anan, à direita Ajahn Anan, ao centro Ajahn Chah e à esquerda Ajahn Piak (eles se ordenaram no mesmo dia).
Notas:
  • Cemitério: não eram cemitérios como os ocidentais, antigamente na Tailândia o que haviam eram pedaços de floresta onde os mortos eram levados e cremados. As pessoas simplesmente acendiam a fogueira e iam embora deixando os restos da cremação por lá mesmo, o lugar era provavelmente cheio de osso e restos decompostos de cadáveres. Hoje em dia isso não é mais feito, os corpos são cremados em fornos especiais e não sobra muito a não ser cinzas.
  • Bodhiñāna: literalmente significa ‘conhecimento do despertar’, mas era também o título eclesiástico dado a Ajahn Chah: Chao Kun Bodhiñāna Thera.
  • Dentro e fora do Pātimokkha: o Pātimokkha enumera somente as 227 regras principais, além dessas existe uma infinidade de outras pequenas regras no Vinaya Pitaka.
  • Mandou coar de novo: os monges não podem consumir alimentos após o meio-dia, mas são autorizados a beber suco de frutas. Ajahn Chah era bastante rigoroso com a regra monástica e não bebia um suco mesmo que tivesse uma quantidade mínima de semente ou bagaço ainda presente.
  • Autópsia: é relativamente comum hospitais autorizarem monges a assistir autópsias para praticar a contemplação da morte.
  • ‘Eu não disse que não vai morrer!’: em outra gravação Ajahn Anan conta essa história em mais detalhes: na ocasião, Ajahn Chah estava supervisionando o trabalho no monastério e Ajahn Anan o acompanhava. Enquanto Ajahn Chah falava sobre os planos de construção Ajahn Anan refletia sobre a morte pensando ‘Será que vou viver para ver esse trabalho feito?’, Ajahn Chah então olhou para ele e disse em tom de brincadeira ‘Estou dizendo, caso não morra…’ (é impossível traduzir literalmente a frase em tailandês). Moral da história: aparentemente Ajahn Chah era capaz de ler os pensamentos dele.
  • Beba água: no Visuddhi Magga há uma recomendação sobre como achar a quantidade correta de alimento para si: coma à vontade mas quando estiver a 5 colheradas de se sentir satisfeito, pare de comer e beba água.
  • Um só receptáculo: essa é uma das práticas de dhutanga, significa comer colocando toda a comida dentro da tigela, inclusive doces e sobremesas.
  • Filiais: Wat Nong Pah Pong possui várias filiais dentro e fora da Tailândia.
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4 comentários sobre “A Bondade do Mestre

  1. Hi Bhante Mudito! Obrigado por disponibilizar os ensinamentos da linhagem de Ajahn Chah!
    Bhante, você já ouviu falar desse filme da vida de Buda: http://www.buddha-thushaveiheard.com/page_01.html
    Ele foi feito na Tailândia e dublado para vários idiomas como vietnamita. Tem até legenda em inglês.
    Seria muito bom poder legenda-lo em português para que muitas pessoas aqui tivessem acesso, mas ele deve estar sob direitos autorais restritos.

    É muito bom ter pessoas como você disponibilizando para nós conteúdo em linguagem acessível

  2. Bhante Mudito,

    Pelo que conheço do Vinaya, que confesso ser pouco, a transgressão parajika diz algo como "Gabar-se de ter alcançado uma grande realização espiritual, sabendo que isso não é verdade.' O ponto principal é ser mentira mas alguém que afirme ter alguma dessas realizações e isso é verdade não estaria transgredindo a regra. Ou há alguma outra regra específica com relação a samadhi no Vinaya?

    • Sim, existe uma ofensa de parajika (expulsão) para aquele que mentir declarando possuir qualquer estado supramundano decorrente da prática do ensinamento do Buddha: algum estágio de iluminação, samādhi ou os poderes psíquicos que decorrem de samādhi. Já para aquele que verdadeiramente possui tais estados pode declará-lo a outros monges mas não deve declará-lo a leigos pois a intenção do Buddha era que as pessoas tivessem mais respeito pelo Dhamma que por essas coisas que acabam fomentando fé cega entre as pessoas. Para aquele que fizer tais declarações há uma ofensa de confissão, o que significa que ele deve confessar a ofensa perante um outro monge.

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